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Série Fragmentos Resselvagens 

Em Fragmentos Resselvagens, o artista inaugura uma nova fase no processo de experimentação plástica, dando sequência à construção de esculturas em baixo-relevo denominadas Forófitos. Nos trabalhos anteriores (2018 e 2019), o relevo é evidenciado com uma profusão de texturas ricas em detalhes, recortes e pontos de tensão - os personagens são densos e se confundem com o cenário. Em Fragmentos Resselvagens (2019 a 2022), as linhas e os volumes passam a dominar a cena, expandindo os personagens, destacando-os visivelmente na tela, dando-lhes protagonismo. 

Permeadas pelo universo da floresta onde vive e trabalha o artista-cientista-engenheiro, as esculturas são repletas de plantas e seres fantásticos. Nelas, criaturas reais e imaginárias pulsam dotadas de desejos, sentimentos e memórias, em diálogo permanente com os pequenos seres vivos que as revestem. 

 

Cada obra, viva e em permanente mutação, é entregue ao tempo, sujeita à ação do vento e da chuva, dos pássaros e dos insetos. Esporos e sementes são acolhidos pelas texturas e reentrâncias, germinando e colonizando o material inerte e biocompatível. Volumes e traços sugeridos pelo artista agora são tomados pela vida abundante. Musgos, líquens, avencas... As esculturas, antes fragmentos no imaginário do artista, agora são parte da floresta, estão vivas, foram resselvagizadas.

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"As jovens criaturas escutam atentas a velha anciã."

criaturas

2021

220cm x 100cm x 8cm

escultura em baixo-relevo, técnica mista

substrato, feltro de poliéster reciclado, grampos de aço inox, tubo de irrigação, chapa de plástico reciclado

(foto: março 2022)

Nota: obra selecionada para participar da III Bienal de Escultura Valldoreix dels Somnis (outubro a dezembro 2022, Espanha).
 

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"A lua está desperta.

A árvore chora lembranças distantes."

árvore chorando ao luar

2020

162cm x 110cm x 10cm

escultura em baixo-relevo, técnica mista

substrato, feltro de poliéster reciclado, grampos de aço inox, tubo de irrigação, chapa de plástico reciclado

(foto: março 2022)

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melodia

2019

100cm x 220cm x 8cm

escultura em baixo-relevo, técnica mista

substrato, feltro de poliéster reciclado, grampos de aço inox, tubo de irrigação, chapa de plástico reciclado

(foto: março 2022)

"Arvoretas e arbustos balançam ao sabor vento. 

Ali perto, pássaros cantarolam melodias."

Sem título222.JPG

árvore II

2019

60cm x 40cm x 10cm

escultura em baixo-relevo, técnica mista

cimento, substrato, feltro de poliéster reciclado, grampos de aço inox, tubo de irrigação, chapa de plástico reciclado

(foto: março 2022)

 

Argumento

 

Em Fragmentos Resselvagens, o artista entrega sua obra aos agentes da natureza a fim de que se apropriem dela, insuflando-lhe vida, ânima. No gesto da entrega, o ímpeto da entrega de si mesmo, criador-criatura a reconectar-se com o fluxo da vida.  Ao retirar-se, confiando a escultura à floresta, o artista se liberta, renasce e pode enfim dar início a uma nova criação. A não intervenção se faz gesto criativo.

Renaturalizar, resselvagizar, rewilding , ação que resgata o caráter original, por vezes endêmico, selvagem de uma localidade outrora perturbada pela ação humana e que, na obra do artista, se converte em metáfora para a reconexão com o universo orgânico e ancestral da natureza.

 

As esculturas da série Fragmentos Resselvagens encerram em sua materialidade o processo de religare (no sentido etimológico clássico), ao qual se submete o artista, fazendo oposição às angústias vividas pelo ser humano desconexo de sua origem e da vida que o cerca. Nesse sentido, Fragmentos Resselvagens versa sobre a resistência à dicotomia existencial e material da civilização que, apartada da natureza, consome e destrói tudo à sua volta, arrastando sem freios a humanidade e o planeta em direção ao abismo das mudanças climáticas, do esgotamento dos recursos naturais e do colapso dos ecossistemas.

 

Fragmentos Resselvagens propõe uma reflexão sobre a potência regeneradora da natureza, que toma para si as obras então “abandonadas” em seu seio, reconectando as partes fragmentadas, ao mesmo tempo em que questiona o papel do ser humano frente ao ambiente natural e aos ciclos ecológicos e ecossistêmicos que regulam a vida do planeta.

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